Sergio Takemoto faz balanço de mais um ano que se encerra marcado pela luta contra a privatização da Caixa e melhores condições de trabalho

6 de janeiro de 2021 18:00

Do site fenae.org.br

30/12/20 09:45 / Atualizado em 30/12/20 11:25

Presidente da Fenae reflete sobre o cenário adverso que o movimento nacional dos empregados da Caixa teve de enfrentar em 2020, para seguir com a mobilização por mais conquistas e por novos desafios

Nesta entrevista, Sergio Takemoto avalia que o ano de 2020 foi marcado pela luta contra a privatização da Caixa e por melhores condições de trabalho para todos os empregados. Essa mobilização, segundo ele, se soma a todo um esforço por um Brasil justo, democrático e soberano, apesar do governo Bolsonaro.

Ele defende as campanhas e mobilizações contra o fatiamento do banco e por nenhum direito a menos aos trabalhadores. E explica: “Em um ano de gestão, apesar das dificuldades provocadas pela pandemia, nosso foco foi o bem-estar do pessoal da Caixa, na perspectiva de continuidade das ações existentes e de ampliação dos projetos que visam aproximar ainda mais a Fenae dos empregados do banco e dos associados das Apcefs”.

Confira a íntegra da entrevista de balanço de um ano da gestão de Sergio Takemoto na condução da Fenae:

Que balanço você faz do primeiro ano da sua gestão à frente da Fenae?
Takemoto – O ano de 2020, que coincide com o primeiro período da nossa gestão à frente da Fenae, foi marcado pelo enfrentamento contra a privatização da Caixa Econômica Federal e de outras empresas públicas, assim como pela luta por melhores condições de trabalho para todos os empregados do banco, somado ao esforço por um Brasil justo, democrático e soberano. 

Foi um período muito difícil, muito em função da crise profunda por conta da pandemia e da economia estagnada. Mesmo com esse cenário adverso, os empregados fizeram um trabalho excepcional em prol da população mais vulnerável do país, o que permitiu o cumprimento do papel social da Caixa. Foram mais de nove meses de pagamento do auxílio emergencial para mais de 67 milhões de cidadãos brasileiros, além do atendimento de outras 50 milhões de pessoas que recorreram ao banco para receber outros benefícios sociais e emergenciais.

Apesar das dificuldades provocadas pela pandemia, a Fenae conseguiu fazer aquilo que os empregados esperam: a defesa dos direitos e da Caixa 100% pública. Nossa atuação, portanto, sempre esteve pautada no bem-estar do pessoal do banco, articulada com a defesa de uma vida digna para todos os trabalhadores.

Como parte desse DNA, construído ao longo dos anos, foram realizados eventos e projetos que mostraram como a Fenae encontra-se, cada vez mais, presente no dia a dia dos empregados da Caixa e dos associados das Apcefs. Exemplos dessas iniciativas são o Arena Fenae com alguns dos jogos mais populares do mundo (Clash Royale, Fifa, Free Fire e CS:GO) e a final do Talentos Fenae/Apcef nas quatro categorias e oito modalidades existentes, com recorde de inscrições e participações. O público pode acompanhar os eventos virtuais de premiação da fase estadual e nacional pelo Facebook e Youtube da Fenae.

Outra iniciativa importante foram as mais de 50 lives realizadas e transmitidas em 2020, que abordaram diversos assuntos de interesse dos empregados e da sociedade. Com as lives, por exemplo, conseguimos manter nossa comunicação e diálogo com os empregados, ao mesmo tempo que alertamos toda a sociedade a respeito das perseguições deste governo aos direitos dos trabalhadores e da necessidade de manutenção da Caixa 100% pública, essencial para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.

Como a Fenae tem enfrentado os desafios causados pela crise da pandemia?
Takemoto – Faz parte do DNA da Fenae a defesa da Caixa pública e dos direitos dos empregados. Neste ano, apesar das dificuldades causadas pela pandemia, não foi diferente. No início da nossa gestão, tivemos que fazer uma grande mobilização contra a MP 995, que mira na privatização da Caixa por meio de suas subsidiárias. “Parem de Vender o Brasil” foi o mote da campanha contra esse entulho autoritário denominado de Medida Provisória. Com base nesse princípio, a Fenae lançou um manifesto no qual denuncia a inconstitucionalidade da MP e a manobra do atual governo para promover o fatiamento do banco público.

A Fenae esteve à frente da luta em defesa do patrimônio público, mobilizando a sociedade e o Congresso Nacional. Temos atuado ao lado de entidades representativas dos trabalhadores e movimentos sociais. Um dos destaques foi a articulação com a Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Bancos Públicos, para contrapor-se a políticas governamentais que seguem o roteiro de abandono, desmonte, precarização e sucateamento de bancos e empresas públicas. 

Na defesa dos direitos de todos os bancários, a Fenae esteve junto da Contraf/CUT na Campanha Nacional 2020.  O resultado foi um Acordo Coletivo de Trabalho com validade de dois anos e a manutenção de direitos históricos. Entre as principais conquistas dessa negociação difícil com a Caixa e a Fenaban estão o Saúde Caixa para todos, com inclusão de novos empregados (inclusive PCDs), e a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). No caso da PLR, destacam-se a firmada em mesa única e a de caráter social, exclusiva da Caixa.

Lutamos contra um governo cujo único objetivo é a retirada dos direitos dos trabalhadores e a privatização das empresas públicas. A defesa do Saúde Caixa para todos, da Funcef e de outros fundos de pensão das estatais também foram priorizadas.

Para reafirmar o papel imprescindível da Caixa para o Brasil, a Fenae esteve na linha de frente da denúncia contra o desmonte de programas sociais. O principal alvo foi o Casa Verde e Amarela, que substitui o Minha Casa Minha Vida. Esse novo programa habitacional do governo Bolsonaro deixa de fora a população mais vulnerável, situada na chamada faixa 1 do MCMV, com renda de até R$ 1,8 mil por família, justamente a que mais precisa das políticas públicas operadas pelo banco.

Outro destaque foi a mobilização por contratar mais empregados. A Fenae e a Contraf/CUT lançaram um abaixo-assinado por mais empregados e menos filas. A avaliação é que a carência de pessoal tem afetado não apenas os trabalhadores, mas a população. A pandemia deixou evidente uma outra situação: sem investimentos, o banco lida com a precarização dos atendimentos no pagamento dos benefícios sociais, restando aos empregados sobrecarga de trabalho e pressão por metas abusivas.

Lutamos contra o programa de reestruturação da gestão Pedro Guimarães, que tem sido utilizado, muitas vezes, para pressionar os empregados a aderirem ao PDV, mesmo com um déficit acima de 19 mil trabalhadores.

A Fenae respaldou ainda as iniciativas da Frente Parlamentar Mista do Serviço Público (Servir Brasil), com base no conceito de que os recursos públicos são imprescindíveis para o Estado fomentar ações em prol do bem-estar social. Nossa atuação, no âmbito mais geral, tem reafirmado a defesa da democracia, da soberania nacional e contra a Reforma Administrativa da equipe econômica do atual governo.

Em relação aos investimentos na promoção do bem-estar do pessoal da Caixa, como você avalia a atuação da Fenae?
Takemoto – Diante dessa pandemia, e na medida do possível, a Fenae teve de reinventar-se. Conseguimos realizar alguns eventos para atender as necessidades dos empregados da Caixa. Realizamos lives e projetos virtuais como Arena Fenae e Talentos Fenae/Apcef. Incentivamos as associações afiliadas a estarem próximas de seus associados e realizamos diversas promoções na plataforma Nosso Valor, além de cursos pela Rede do Conhecimento, para atenuar as situações difíceis causadas pelo isolamento social. A cada ano que passa, na condição de plataforma de educação da Fenae e das Apcefs, a Rede do Conhecimento tem diversificado os cursos oferecidos aos associados e seus dependentes. Fortalecemos ainda a Rede de Convênios.

Nosso objetivo, como sempre foi desde que a Fenae surgiu em 1971, é possibilitar que os empregados da Caixa tenham acesso a uma convivência social sadia e democrática. A participação da Fenae e das Apcefs no cotidiano do pessoal do banco mostra-se cada vez mais necessária.

A responsabilidade social é uma iniciativa importante da Fenae. Que balanço você faz do trabalho desenvolvido pelo Movimento Solidário? 
Takemoto – São cinco anos de Movimento Solidário em Belágua, um dos municípios mais pobres do país e que figura também entre os quatros mais carentes do Maranhão. Desde que chegou na região, em 2015, o programa social dos empregados da Caixa desenvolveu 45 projetos de geração de renda e acesso a direitos em benefício de 2.228 pessoas. Os resultados não tardaram a aparecer e vieram em redução da mortalidade materna e infantil.

É importante ressaltar que em Belágua a Fenae atua como articuladora de projetos para reduzir a pobreza e melhorar a qualidade de vida em comunidades carentes do município. O apoio da Prefeitura e do governo do Estado tem sido importante, mas o mais fundamental tem sido a contribuição dos empregados da Caixa para projetos de piscicultura, criação de galinhas, criação de abelhas nativas sem-ferrão para a produção de mel silvestre, poços artesianos e hortas comunitárias. Essas iniciativas levam alternativas de segurança alimentar e de geração de renda para as diversas comunidades da região, além de constituírem-se também como ação de conservação ambiental.

Todas essas iniciativas têm sido possíveis, mesmo em tempos de pandemia, graças às doações do empregado da Caixa e ao apoio de empresas parceiras. Como resultado dessa ação, as famílias de Belágua abraçam os projetos e transformam suas vidas de forma coletiva e solidária. 

A campanha emergencial “Juntos por Belágua”, realizada entre os meses de abril e maio, foi um sucesso, ultrapassando com folga as expectativas iniciais. Toda a ação foi feita para garantir a subsistência da população vulnerável do município maranhense durante o enfrentamento à pandemia.

A estruturação do Instituto Fenae Transforma foi um passo adiante no processo de fortalecimento e ampliação de todas as ações sociais do Movimento Solidário.

Quais as perspectivas da Fenae neste novo momento para o Brasil?  
Takemoto – Assim que a pandemia acabar, vamos retomar o contato e o convívio social com o pessoal da Caixa por todo o país. Neste ano difícil, houve desafios em todas as áreas. O importante, porém, é que foi possível, mesmo à distância, mantermos a mobilização em defesa da Caixa 100% pública e contra a retirada de direitos dos trabalhadores.

No próximo ano, teremos dois importantes eventos: os 160 anos da Caixa e os 50 anos da Fenae. Devemos comemorar ambos, apesar dos ataques brutais desferidos pelo governo Bolsonaro e pela gestão Pedro Guimarães contra o banco público. O trabalho excepcional dos empregados no pagamento de benefícios sociais como o auxílio emergencial precisa ser ressaltado, mesmo diante da falta de reconhecimento governamental para todo esse esforço.

A Caixa pública e social é imprescindível para toda a população. O foco em 2021 será a resistência em defesa do banco e pela manutenção dos direitos dos trabalhadores.

A Fenae, por outro lado, chega aos 50 anos mostrando muita vitalidade. Isso é motivo de muito orgulho para todos os empregados. Portanto, 2021 será o ano marcado pela luta e pela resistência. Vamos festejar os aniversários da Caixa e da Fenae reafirmando toda a trajetória de união, lutas, resistência e conquistas para o banco e para a Federação, pois uma depende da outra.

Vamos, por fim, festejar a vida. As boas lutas fazem da Caixa e da Fenae um ponto de referência para o Brasil, para a sociedade e para a população. São momentos longos de muita resistência, afirmação e de muito trabalho coletivo. Sempre prevaleceu a mobilização por uma Caixa 100% pública a serviço do país e de sua população, combinada com o movimento em favor do bem-estar dos empregados e por nenhum direito a menos.

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