Se havia dúvida da suspeição dos procuradores, agora não há mais, diz ex-ministro da Justiça sobre caso Lula

24 de fevereiro de 2021 10:12

A cada dia, desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a defesa do ex-presidente Lula a ter acesso aos dados da Operação Spoofing, o teor parcial da força-tarefa da Lava Jato contra o petista fica mais cristalino. Novas mensagens entre procuradores da operação e o ex-juiz Sérgio Moro mostram uma articulação política para levar o ex-presidente à prisão e tirá-lo das eleições de 2018.

A defesa de Lula vem utilizando essas mensagens, apreendidas pela Polícia Federal, para reforçar, junto ao STF, o pedido de suspeição de Moro no processo em que o ex-metalúrgico foi condenado. Caso a Corte acate os argumentos dos advogados do petista, sua condenação pode ser anulada e seus direitos políticos recuperados.

Nesta segunda-feira (22), a defesa de Lula enviou novos diálogos da Spoofing ao STF que mostram o então chefe da força-tarefa em Curitiba, Deltan Dallagnol, pleiteando a prisão do ex-presidente antes mesmo de qualquer acusação formal ao fazer um “pedido” ao procurador Januário Paludo.

“Deixe essa burocracia chata que não serve para nada e vem pra cá você também, January. Venha prender o Lula”, escreveu Dallagnol em um grupo de mensagens no dia 15 de setembro de 2016.

À Fórum, o jurista Eugênio Aragão, que é ex-ministro da Justiça, disse que os novos diálogos que vieram à tona “provam cabalmente a hostilidade” de Dallagnol contra Lula.

“As novas revelações provam cabalmente a indisfarçada hostilidade de Deltan Dallagnol para com o Presidente Lula. Nem mesmo acusado formalmente, já vaticinava o procurador sua prisão e via-a como feito heroico a valer que seu colega Januário ‘largasse a burocracia’ para ajudá-lo na empreitada de encarcerar Lula”, declarou o ex-ministro.

“Se havia dúvidas a respeito da suspeição dos procuradores, agora já não tem como estas persistirem”, completou Aragão, afirmando ainda que “a suspeição se estende evidentemente a Sérgio Moro, o verdadeiro coordenador da Lava Jato”.

Delegada Erika Marena

Nos novos documentos enviados pela defesa de Lula ao STF estão também diálogos que envolvem a delegada da Polícia Federal Erika Marena. Ela teria registrado um depoimento sem falar com a testemunha. Além disso, com medo de que ela tivesse problemas administrativos por falsidade, procuradores da Lava Jato de Curitiba discutiram como evitar que ela fosse averiguada por falsidade.

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) usou as redes sociais para pedir a prisão de Dallagnol e da delegada Erika Marena.

“O que mais precisa aparecer de fatos estarrecedores para que a delegada Erika Marena e o procurador Deltan Dallagnol sejam presos. Eu sugiro que contratem advogados e tentem uma delação premiada. Os dois sabem muito e podem ajudar a capturar toda quadrilha e quem financiou!!”, postou Pimenta.

Fonte: Revista Fórum / Foto: Reprodução

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