Lula sobre as Forças Armadas: “Não tem que se meter em política”

17 de agosto de 2021 09:23

Durante coletiva realizada nesta segunda-feira (16), em Pernambuco, onde iniciou a sua passagem pelo Nordeste, o ex-presidente Lula criticou a maneira como o presidente Bolsonaro (sem partido) tem se utilizado politicamente das Forças Armadas e ressaltou que, durante o seu governo (2002-10) não teve problemas com os militares e que a relação se dava dentro dos marcos constitucionais.

Para exemplificar a sua relação com os militares, Lula contou como fez para nomear os comandantes quando tomou posse.

“Quando eu fui eleito presidente da República em 2002 eu não conhecia um único militar. Eu tive que escolher os três comandantes. Não conhecia um, não conhecia sargento, nem cabo, nem tenente, nem comandantes. Tomei posse e fui consultar uma pessoa que tinha sido general da linha dura, eu fui conversar com ele na casa de amigo e ele falou: ‘presidente, o senhor não terá problemas com as Forças Armadas, porque tem uma lógica nas Forças Armadas: a gente tem uma fila, a gente vai galgando espaços na nossa carreira e chega um momento que a gente pode subir ou a gente pode ser exonerado. Se o senhor escolher o primeiro da fila, o senhor não terá problema na Aeronáutica, no Exército e na Marinha’, e assim eu fiz”, revelou Lula

Em seguida, o ex-presidente Lula afirmou que governou oito anos “sem ter nenhum problema com as Forças Armadas”, mas afirmou que fica inquieto com o excesso de “preocupações e discursos sobre” e ressaltou que elas têm “o seu papel definido na Constituição”.

“Portanto, o que nós vamos fazer com as Forças Armadas é fazer com que cumpra o seu papel Constitucional. As Forças Armadas existem para garantir a soberania nacional contra possíveis inimigos internos. Ela tem que tomar conta das nossas fronteiras terrestres, marítimas, do espaço aéreo e ela precisa proteger o povo brasileiro, é isso que ela tem que fazer. E não tem que se meter em política. Se quiser se meter em política, tira a farda, vá virar um cidadão comum e pode ser candidato a qualquer coisa”, criticou Lula.

Posteriormente, Lula lembrou das especulações, quando o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, que é um general da ativa, foi convocado para depor na CPI da Covid e correram boatos de que ele iria vestindo farda para intimidar os senadores. “Eles botaram na cabeça que eles são superiores, eles botaram na cabeça que são mais honestos e a CPI está mostrando o que aconteceu com a quantidade de coronéis que, em nome de institutos e ONGs estavam montando uma verdadeira quadrilha pra comprar vacina”, criticou.

Dessa maneira, Lula reafirmou algo que já havia dito por meio das redes sociais: que não existe conversa com os militares e defendeu a separação e delimitação de ação dos poderes no Brasil.

“Eu não tenho conversa com os militares, não há por que conversar com militares, não há por que conversar com o Ministério Público, não há por que conversar com a Polícia Federal, eles são instituições do Estado, eles têm funções a cumprir e tem que respeitar o regulamento e a Constituição. Quando eu ganhar (a eleição) aí eu vou conversar, porque vou ser o chefe deles e vou dizer o que eu penso e qual é o papel deles. A democracia não comporta um Estado civil governado por quase 6 mil militares”, ressaltou Lula.

Sobre a presença de militares no governo do presidente Jair Bolsonaro, Lula afirmou que isso revela a incompetência do atual ocupante do Palácio do Planalto. “Isso (militares no governo federal) acontece não por causa do mérito do Bolsonaro, mas por causa da incompetência do Bolsonaro e eu, sinceramente, acho que o que ele está fazendo com as Forças Armadas é um desprestígio à instituição Forças Armadas e eu quero que elas sejam fortes, que estejam bem armadas e preparadas para não deixar ninguém meter o bedelho aqui”, disse.

Por fim, Lula afirmou que Bolsonaro é uma pessoa medrosa que não tem relação com a sociedade civil. “Hoje tem mais militar no governo do que durante o regime militar, agora isso acontece porque o Bolsonaro é medroso, porque ele não tem relação com a sociedade civil. A sociedade civil que ele se relacionava eram milicianos e parece que é uma coisa de toda a família”, ironizou o líder petista.

Fonte: Revista Fórum / Foto: Ricardo Stuckert

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