Consciência Negra: 2020 foi ano de mudanças importantes para a população negra

20 de novembro de 2020 16:55

Movimentos sindicais e associativos preparam mobilização por todo país

O ano de 2020 foi marcado pelo aumento nas discussões sobre negros e representatividade. Movimentos como o Black Lives Matter e mobilizações pelo menino João Pedro Matos Pinto, morto durante uma ação policial no Rio de Janeiros e Miguel Otávio, que caiu de um prédio do luxo no Recife, tiveram um papel fundamental e fizeram explodir os debates pelo Brasil. Com a proximidade do dia 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, o tema estará ainda mais em alta em lives pelo Brasil.

As urnas deram um recado importante sobre a representatividade. Nas eleições para prefeitos e vereadores de 2020, pela primeira vez os brancos não foram a maioria dos candidatos concorrentes às vagas eletivas. Dados apresentados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que 272 mil candidatos são negros. Pela classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pretos e pardos são considerados negros. O número representa 49,9% dos candidatos.

Entre os prefeitos eleitos no primeiro turno, 32% se declararam negros. Outros 28% foram para o segundo turno. O número ainda é baixo, se comparado com os 56,2% de negros da população brasileira. Mas o aumento em relação à última eleição deve ser comemorado. Em 2016, 29% de candidatos negros foram eleitos em primeiro turno e 19% chegaram no segundo turno, segundo o TSE.

Em um momento importante para a população negra do Brasil e do mundo, a resistência ainda marca esse 20 de novembro. Para o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sergio Takemoto, os ataques conservadores do atual momento do país requer ainda mais luta.

“Não há outro caminho a não ser, inspirados por Zumbi, Dandara e Maria Felipa, lutarmos contra as derrotas que querem nos impor. A pandemia atingiu principalmente a população negra. Tanto com o nível de contaminação, quanto com o desemprego. Tivemos avanços importantes nas eleições, mas temos que refletir e agir”, afirma.

Mercado de trabalho

A pandemia afetou muito a população negra brasileira. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Covid, de outubro de 2020, feita pelo IBGE, a taxa de desemprego subiu de 13,6% em agosto para 14% em setembro, são cerca de 13,5 milhões de desocupados. Destes, 16,1% são pretos e pardos. Em maio, o percentual era de 12% entre pretos e pardos.

“Nesta crise, a população negra foi ainda mais afetada. Os dados mostram que a renda média da população negra representa apenas 56,2% da recebida pelos brancos”, observou o secretário da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) de Combate ao Racismo, Almir Aguiar.

Fonte: Fenae

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