O PARADOXO DO POVO

1 de dezembro de 2020 15:07 | Publicado por Leandro Fortes

Foi o povo – não a mídia, nem os setores reacionários da burguesia nacional – que derrotou as candidaturas de esquerda que conseguiram, aos trancos e barrancos, chegar ao segundo turno das eleições municipais.

O povo, o povão, a plebe, as classes oprimidas das periferias dos grandes centros urbanos: Rio, São Paulo, Recife, Porto Alegre. Sem falar em praças menores, mas não menos importantes, como São Gonçalo, no Rio de Janeiro; e Feira de Santana e Vitória da Conquista, na Bahia.

Qualquer tentativa de romantizar essas derrotas como sementes de vitórias que virão cairá, inevitavelmente, naquele vão da História onde vivem o inútil e o ridículo.

A derrota é um aprendizado duro, a ser vivido em todo o seu amargor. A derrota exige vingança, não poesia.

Nem frente ampla, nem gabinete do amor: as esquerdas precisam sair urgentemente dessa armadilha do bem-querer e ocupar os grotões de miséria – nas cidades, nos campos, nos quartéis – com organização e doutrina revolucionárias.

Onde houver uma igreja neopentecostal, tem que haver um núcleo de ação política dos partidos e dos sindicatos. Para cada aleluia, um zap de consciência, um brado de trabalhador. Na saída de cada culto, uma bandeira de luta.

É preciso superar o mito do diálogo com um lumpesinato manipulado pelo capital e pela religião. Essa multidão de esquecidos que, eleição após eleição, é convencida a votar no opressor, bovinamente.

A teoria da prosperidade, essa ratoeira mental montada por pastores de direita, não vai ser desarmada com conversa mole e memes engraçadinhos nas redes sociais.

Vai ser desarmada nas favelas, nos presídios, nas escolas e nas ruas com planejamento e luta organizada.

O resto é lacração.

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2 comentários

  1. Assis Vieira

    4 de dezembro de 2020 23:41

    Leandro, parabéns pelo texto! Me lembrou o discurso afiado do Prof Nildo Ouríques, presidente do instituto IELA na UFSC. Pra registrar, admiro seu trabalho desde seus textos na Carta Capital. Há muito tempo não lia um texto seu. Bom encontrá-lo novamente.

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    • leandro

      9 de dezembro de 2020 11:58

      Assis, muito obrigado pela atenção e pela lembrança. Forte abraço

      Responder

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