O desmonte do Estado vizinho

21 de outubro de 2026 10:53 | Publicado por Leandro Fortes

Sindsep-DF

A política de destruição da máquina pública promovida pela extrema-direita na Argentina ganhou um novo e gravíssimo capítulo. O governo de Javier Milei anunciou o lançamento de um plano de “demissão voluntária” com a meta de eliminar mais 20 mil postos de trabalho na administração pública. A medida apelidada por lideranças sindicais locais de “demissão extorsiva”, proíbe inclusive que os servidores que aderirem retornem ao serviço público pelos próximos oito anos, demonstrando o caráter permanente do desmantelamento estatal.

O novo plano soma-se ao rastro de devastação social e trabalhista imposto desde dezembro de 2023. Sob a batida da doutrina ultra-liberal da “motosserra”, o governo Milei já extinguiu mais de 77 mil empregos no setor público nacional, o que representa o corte brutal de cerca de 21% do funcionalismo do país.

Os impactos da sanha privatista e do arrocho fiscal ultrapassam a esfera estatal: no mesmo período, o setor privado formal argentino perdeu mais de 270 mil postos de trabalho, enquanto a informalidade saltou para cerca de 45% da população economicamente ativa. A promessa de “eficiência” traduziu-se em precarização do trabalho, desmonte de políticas sociais essenciais e aumento expressivo das taxas de pobreza e indigência.

O alerta para a classe trabalhadora brasileira

O cenário devastador vivido pelos trabalhadores argentinos não é um caso isolado, mas o projeto político da extrema-direita em escala global. No Brasil, o avanço desse projeto privatista e anti-serviço público representa uma ameaça direta às conquistas históricas da classe trabalhadora e ao atendimento da população vulnerável.

“O que testemunhamos na Argentina sob a gestão de Milei é o laboratório escancarado daquilo que a extrema-direita deseja implementar no Brasil. A eliminação em massa de postos de trabalho e a destruição dos serviços públicos são as faces de um projeto autoritário e entreguista. Não podemos baixar a guarda: defender o funcionalismo é defender os direitos fundamentais do povo brasileiro e a própria democracia”, alerta a Mônica Carneiro, diretora do Sindsep-DF.

A eventual volta da extrema-direita ao poder no Brasil coloca no alvo imediato direitos fundamentais como a estabilidade do servidor, o concurso público, os reajustes salariais e a existência de serviços vitais como a saúde (SUS), a educação e a previdência social. As recorrentes tentativas de aprovar reformas administrativas punitivas e projetos de sucateamento mostram que a lógica adotada por Milei é o exato espelho do que setores ultra-liberais e conservadores almejam implementar no país.

Diante desse espelho do retrocesso, cabe às entidades representativas dos trabalhadores e a todo o funcionalismo público manterem-se em permanente estado de mobilização e vigilância. Defender o serviço público forte, valorizado e de qualidade é defender a democracia, a soberania nacional e os direitos do povo brasileiro contra a ganância do capital e a sanha privatista.

Reprodução: CONDSEF/SINDSEP

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