Cerimônia de entrega do 42º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo reconhece 62 trabalhos em noite de celebração à democracia

11 de dezembro de 2025 14:58 | Publicado por Leandro Fortes

A OAB/RS, em parceria com o Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH) e demais entidades promotoras, realizou, na noite de quarta-feira (10), a cerimônia de entrega do 42º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo. O evento, que lotou o auditório OAB Cubo, em Porto Alegre, marcou o Dia Internacional dos Direitos Humanos com o reconhecimento de 62 trabalhos comprometidos com a justiça social e com a cidadania. Ao todo, a edição contabilizou 285 produções inscritas de diversas regiões do Brasil e do Uruguai, reafirmando a relevância da premiação no cenário sul-americano.

O presidente da OAB/RS e da Comissão de Direitos Humanos Sobral Pinto, Leonardo Lamachia, destacou em seu discurso a correlação intrínseca entre o respeito às instituições e a vigência da democracia. “Não há democracia quando se atenta contra as instituições, mas também não há democracia quando as instituições atentam contra a Constituição. Não há caminho para uma sociedade ter paz, prosperidade e desenvolvimento que não seja o da democracia, do voto direto, secreto, do respeito às instituições, do respeito ao devido processo legal e, em especial, do respeito à advocacia”, afirmou Lamachia, reforçando que atentar contra a classe e suas prerrogativas é ferir o próprio Estado de Direito.

“O passado que não passa”

Instituído em 1984, o prêmio mantém sua tradição ininterrupta de estimular a denúncia de violações e a defesa das garantias fundamentais. Nesta edição, a temática escolhida foi “O passado que não passa”, um convite à reflexão sobre as marcas históricas, especialmente de períodos autoritários, que ainda reverberam nas instituições e na sociedade atual. A iniciativa busca valorizar o jornalismo que combate desigualdades e atua como pilar do Estado Democrático de Direito, premiando a qualidade técnica, a investigação original e os valores éticos dos profissionais.

A presidente da Caixa de Assistência dos Advogados do RS (CAARS) e membro da Comissão de Direitos Humanos, Neusa Bastos, ressaltou a profundidade do tema desta edição. “O tema que nos convoca neste ano não é apenas um título, é um convite, um alerta e, sobretudo, uma reflexão. O jornalismo comprometido com os direitos humanos nos lembra que a memória é um ato de justiça e que nomear violações é uma forma poderosa de impedir que erros se repitam”, pontuou Neusa, lembrando que não existe democracia sólida sem uma imprensa livre, crítica e corajosa.

A memória como antídoto

O fundador e presidente do MJDH, Jair Krischke, enfatizou o papel histórico dos comunicadores. “O jornalista, no exercício do seu trabalho cotidiano, escreve a história em andamento. Aquilo que é notícia hoje, amanhã já é história”, disse. Krischke também alertou para a necessidade de o Brasil enfrentar seu passado recente. “É preciso fazer com que a sociedade tome consciência desse passado. Eu costumo dizer que o único antídoto contra o autoritarismo é a memória. Esse prêmio é considerado pelos jornalistas o nosso Oscar, pela seriedade com que ele é julgado e conferido”, completou.

A noite foi marcada pela celebração da liberdade de imprensa e da defesa intransigente da dignidade humana. A cerimônia completa, com todos os discursos e a entrega dos troféus, pode ser assistida na íntegra pelo canal oficial da Ordem gaúcha no YouTube – clique aqui para conferir.

Premiados

Ao todo, foram entregues 62 distinções, entre troféus para os primeiros lugares e menções honrosas. O Prêmio Especial “O Passado que não Passa” foi concedido a Gilson Camargo e Dominga Menezes pela obra “Crianças e Exílio”. Na categoria Televisão, venceu a equipe do SBT/POA com a reportagem “Sobrecarga e formação deficiente agravam a violência policial”. O melhor Documentário foi “Manoel e Betinha”, da Mnemozyne Produções. No Impresso, Roberta de Souza (Jornal Extra/RJ) levou o troféu por “Bonde dos Fantasmas”, e em Multimídia, a equipe do O Globo/RJ venceu com “O Mapa do Crime”.

Nas demais categorias, os vencedores foram: Luciano Costabel Ale (Semanário Brecha/UY) em Online; a equipe da Folha de S. Paulo em Áudio com “Dois Mundos”; Cleidi Cristina Pereira (Editora Insular/SC) em Grande Reportagem (Livro); Victor Emanuel Wanderley (PB) em Crônica; Mateus Bruxel (Zero Hora/RS) em Fotografia; e a equipe da Universidade da República de Montevidéu (UY) na categoria Acadêmico. Os troféus entregues são criações exclusivas do artista plástico Mário Cladera.

Confira todos os premiados aqui.

Reprodução: OABRS

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