MORO ENTERRA BOLSONARO

MORO ENTERRA BOLSONARO

Depois do pronunciamento de Sérgio Moro, no qual anunciou a própria demissão e elencou uma série de crimes cometidos pelo presidente da República, não há mais como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, não colocar em pauta o impeachment de Jair Bolsonaro.

É preciso que se entenda, antes de tudo, que Moro não saiu porque ficou indignado. Quem comandou a prisão e a condenação ilegal de um ex-presidente da República para tirá-lo da disputa eleitoral de 2018 para, em seguida, aceitar ser ministro do candidato vencedor, não tem – nem nunca vai ter – escrúpulo algum.

Moro saiu do governo porque percebeu que seria engolido pela máfia miliciana que governa, de fato, o País. Não que isso, por si só, lhe provocasse algum desconforto moral. Ao intervir na investigação da Polícia Civil do Rio, no caso Marielle, para intimidar e neutralizar o porteiro do condomínio onde mora a família Bolsonaro, o ex-juiz agiu em perfeita sintonia com os criminosos que assassinaram a vereadora do PSOL e o amigo que estava com ela, Anderson Gomes.

Sérgio Moro percebeu, muito providencialmente, que estava prestes a perder a narrativa anticorrupção trazida da Lava Jato, fator de imensa popularidade entre o eleitorado de extrema-direita, agora fraturado, inevitavelmente. Levou em conta os recentes movimentos de Bolsonaro, que iniciou uma ação anti-impeachment, no Congresso Nacional, trazendo para junto de si ratazanas renomadas do esgoto político nacional, como Roberto Jefferson e Waldemar Costa Neto.

Como ministro, Sérgio Moro foi uma nulidade. Não fez nada de relevante na pasta, ficou a reboque das circunstâncias dos estados e passou todo o tempo patinando pela aprovação do tal pacote anticrime, proposta que jamais foi levada minimamente a sério, no Congresso Nacional. Era um bibelô da Lava Jato que dava verniz institucional ao governo de um presidente idiota com traços de psicopatia e demência avançada.

Resta saber como o gado vai se comportar. Na cabecinha já bastante prejudicada do eleitorado de Bolsonaro, a figura de Sérgio Moro era indissociável do bolsonarismo, em si. Como Moro saiu atirando no mito, é capaz de essa gente entrar em parafuso, em plena quarentena.

Sem falar no próprio Bolsonaro que, não tenham dúvidas, nas próximas horas, vai surtar.

Foto: José Cruz – Agência Brasil


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