PRÉ-BRASIL

PRÉ-BRASIL

O general Walter Souza Braga Netto, militar que ocupa, paradoxalmente, a chefia da Casa CIVIL do Palácio do Planalto, é também apontado como “presidente operacional” da República – uma dessas piadas tristes que emanam do circo bolsonarista e são, de imediato, naturalizadas pela mídia nacional.

Antes de ser ministro, Braga Netto comandou a intervenção federal no Rio de Janeiro. Em abril de 2019, estava no comando da tropa que assassinou, com mais de 80 tiros, o músico Evaldo Rosa dos Santos e o catador de papel Luciano Macedo. O primeiro foi confundido – com base na aparência – com um bandido, o segundo, ao tentar salvá-lo, também foi atingido. Os nove militares envolvidos no fuzilamento passaram menos de um mês presos.

Braga Netto, agora, faz outros serviços.

O mais recente, foi o de anunciar um certo programa de recuperação futura da economia, para os dias pós-pandemia do coronavírus, a gripezinha que Bolsonaro acredita poder curar com atletismo, cloroquina e Vic Vaporub. Chama-se “Pró-Brasil” e se assemelha, em tudo, a um manifesto tardio pró-positivismo, no qual o slogan “ordem e progresso” foi ajustado para separar dois momentos de uma fantasia montada às pressas, sintetizada em um infográfico produzido pelo jardim de infância onde os filhos do presidente ainda engatinham, mentalmente.

No power point apresentado aos jornalistas pelo general, consta uma seta ascendente que, do zero, chega a 2030, cheia de si, afrontosa, pisando nas inimigas.

Como esse milagre irá ocorrer, em uma década, segue sendo um mistério.


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