CODORNAS

CODORNAS

Eu queria, do fundo do meu coração, não entrar nessa discussão sobre repórteres que se insinuam para fontes para conseguir informação, mas não me contenho, diante da hipocrisia.

O que aquele sujeito asqueroso falou sobre a repórter da Folha, na CPI das Fake News, prontamente repercutido pelo 03 Pokapika, foi nojento.

Mas acabo de ouvir um comentarista da Bandnews dar um chilique no ar diante da possibilidade de esse expediente existir na imprensa brasileira.

Ora, qualquer jornalista que tenha passado longos períodos no Congresso Nacional terá presenciado, muito mais de uma vez, esse joguinho de sedução também asqueroso entre repórteres e parlamentares, em muitos casos, consumado além do salões aveludados do Parlamento.

Não sem grande prejuízo para a dignidade do ofício e, principalmente, para as profissionais que se recusam a participar dessa coreografia ignóbil – muitas vezes, estimulada pelas redações.

O fato de um canalha arrotar misoginia para se livrar de uma encrenca não redime o mau comportamento de codornas que, pelo menos no tempo em que eu era repórter, em Brasília, ficavam ciscando em torno de deputados e senadores, fazendo caras e bocas, ajeitando gravatas e aceitando elogios e abraços sebosos de figuras deploráveis da nossa triste vida nacional.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *