SOBEL

SOBEL

Em mundo onde o poder sionista tornou-se uma máquina de triturar humanos, na Palestina, e em um País onde a bandeira de Israel passou a ser empunhada por nazistas, a figura do rabino Henry Sobel parece um borrão perdido em alguma página arrancada de nossa história.

Quando o Brasil vivia em outras trevas, em meio à violência e ao arbítrio da ditadura militar, Sobel recusou-se a aceitar como suicídio o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, judeu, como ele. Vlado, como era conhecido, então profissional da TV Cultura de São Paulo, foi preso e torturado até a morte, nas dependências do DOI-CODI paulista – açougue que se tornou famoso pelas mãos do então major Brilhante Ustra, a besta fera idolatrada pela família Bolsonaro.

Sobel permitiu que Herzog fosse enterrado no Cemitério Israelita, com direito a todos os ritos judaicos que eram, à época, negados aos suicidas. Um ato de coragem como poucos, daquele período, porque significava dizer, ao Brasil e ao mundo, que ele, líder da poderosa Congregação Israelita Paulista, acusava a ditadura de ter assassinado o jornalista. Isso, em 1975, em plena vigência do AI-5.

O rabino Sobel ainda iria se unir a outros dois religiosos fundamentais para a história da resistência contra a ditadura, o cardeal Paulo Evaristo Arns e o reverendo James Wright, na defesa dos Diretos Humanos – quando isso significava, um pouco como hoje, tornar-se alvo da fúria de marginais de extrema-direita.

Juntos, Sobel, Arns e Wright celebraram um histórico ato ecumênico em homenagem a Vladimir Herzog, na Praça da Sé de São Paulo, diante de oito mil pessoas e sob o olhar atento de agentes da repressão.

A morte do rabino, nesse momento, serve para tornar ainda mais aguda a nossa tragédia.


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