SOLTO

SOLTO

Assim como Hugo Chávez, ao sair da prisão em que lhe meteram os golpistas venezuelanos, em 2002, Lula pediu paz e preconizou que o amor há de vencer o ódio, ao deixar a Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. 

A comparação é exagerada, mas não descabida. Chávez voltou ao poder, com apoio das Forças Armadas e de uma população politizada, pronta para a guerra. Naquele momento, incitar um conflito levaria o país a uma guerra civil. 

Lula teve essa mesma percepção, aliás, deu continuidade a ela: poderia ter conduzido as massas a defendê-lo, quando foi preso, mas preferiu se entregar e fazer da paciência uma virtude. Conseguiu.

A diferença fundamental é que, ao sair da prisão, Chávez, ele sim, estava livre. Lula está apenas solto. As engrenagens que o levaram, inocente, ao cárcere ainda se mantêm, senão íntegras, fortemente ativas no Poder Judiciário e no Ministério Público.

Sérgio Moro é uma serpente ferida. Dois dias antes da decisão do STF sobre a segunda instância, tentou prender a ex-presidenta Dilma Rousseff. No mesmo dia, mandou agentes da PF invadirem a cela de Lula para intimá-lo a depor, uma ação tão absurda quanto ridícula.

É de se esperar que, com Lula solto, novas investidas do tipo sejam levadas a cabo. Porque é bastante provável que Moro, desmoralizado pelos vazamentos do Intercept Brasil e pelas sucessivas derrotas no STF, acabe apelando para alguma medida desesperada.

Lula que se cuide.


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